Em Fortaleza para participar da 18ª Conferência Municipal do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) na capital cearense, realizada neste sábado (14), a presidenta nacional da legenda, deputada federal Luciana Santos denunciou a política de desmonte e entreguista do governo Temer, reforçou a importância da criação de uma frente ampla e progressista popular que apontará alternativas para o país e defendeu o fortalecimento do Partido. “O PCdoB nunca se acovardou. É na dificuldade que a gente se agiganta”, ratifica.

Lula Morais, Eliana Gomes, Luciana Santos e Inácio Arruda na entrada do Sindicato ADUFC, sede do evento. Foto: Rafael Mesquita

A vereadora Eliana Gomes, vice-presidente do PCdoB Fortaleza, recepcionou, junto ao secretário de Ciência e Tecnologia do Ceará, Inácio Arruda, a convidada especial. “Este é um momento de resistência. É um momento em que o PCdoB precisa colocar o povo nas ruas. As nossas bases se organizam para rebater este governo impopular que está eliminando direitos da classe trabalhadora”, disse a representante da Câmara Municipal de Fortaleza.

Participações

O auditório da ADUFC ficou lotado. Além dos quase 130 delegados eleitos nas reuniões de organizações de bases do Partido realizadas na capital, amigos, simpatizantes, representantes de outras legendas, sindicalistas, estudantes e representantes de diversas frentes dos movimentos sociais participaram do ato político que faz parte da programação da 18ª Conferência.

Eliana Gomes rodeada pelos colegas vereadores de Fortaleza Acrísio Sena e Emanuel Acrizio. Foto: Rafael Mesquita

Entre os presentes, o cineasta Wolney Oliveira; a presidenta do Procon Fortaleza, Claudia Santos; a diretora da UNE, Dani Rabelo; os vereadores Acrísio Sena (PT) e Emanuel Acrizio (PRP); o presidente do PV, João da Cruz, e o presidente da CTB Ceará, Luciano Simplício. A atividade prestou homenagem in memorian ao jornalista Iran Soares, histórico militante comunista, vítima em 2012 de um câncer.

Francinet Cunha, presidente do PCdoB de Fortaleza, agradeceu a presença e o empenho dos “combativos militantes e filiados” na realização do processo de debates e de construção do 14º Congresso Nacional do Partido. “Realizamos estes encontros em um momento de extrema dificuldade, de busca por saídas e de reconstrução do país. Sabemos que o Partido tem dado grande importância às bases e aos municípios, e a vinda de Luciana Santos para a nossa Conferência é reflexo disso. Nosso entendimento é que nenhuma crise será superada sem um PCdoB forte, organizado e presente nas lutas populares, com forte influência na sociedade, com o espírito aguerrido de superar os desafios. E é este sentimento que nos reúne aqui”, ratifica Cunha.

Discurso de Luciana Santos

A presidenta nacional do PCdoB iniciou sua intervenção destacando a forte relação afetiva com o Ceará. “Costumo dizer que aqui é a minha segunda terra. Sou sempre muito bem acolhida e tenho com este povo uma identidade de rebeldia e luta. O cearense é um povo inquieto, assim como os pernambucanos”, compara. Citando Bárbara de Alencar e Chico da Matilde, o Dragão do Mar, a comunista relembra cearenses ícones na luta em defesa do povo.

Segundo a deputada federal, com o pós- golpe, a análise política do atual governo é de que a manobra foi dada por um conluio envolvendo diversos atores (partidos reacionários, membros do judiciário, mídia) que usou o impeachment como ferramenta para interromper um projeto de desenvolvimento popular. “Os 13 anos de governos progressistas de Lula e Dilma caminhavam na direção de fortalecer o Estado Brasileiro. Sob o argumento de acabar a corrupção, garantir a estabilidade política e retomar a confiança do mercado, eles interromperam este processo. Mas o que vemos um ano depois é exatamente o contrário do que eles pregavam. Vivemos uma instabilidade política, com crise institucional sem precedentes no país, colocando em risco a própria República”, alerta.

Luciana reforça que, apesar de o Partido ter feito parte do ciclo político virtuoso e contribuído para seu legado, a esquerda como um todo não conseguiu “fazer a revolução”. “Não estávamos no poder, mas no governo, e precisamos tirar lições do golpe. Ajudamos a construir políticas inclusivas como o Bolsa Família, o enfrentamento das desigualdades regionais e o estímulo à geração de emprego, por exemplo, mas não conseguimos enfrentar uma reforma política à altura dos desafios que elevasse a consciência das pessoas. Não conseguimos fazer a disputa no plano das ideias”, avalia.

Luciana Santos levanta o público durante discurso. Foto: Rafael Mesquita

Para Luciana, o atual governo coloca em jogo o papel do Estado, “confrontando se ainda queremos ser uma nação soberana ou se seremos subordinada ao regime capitalista”. “As elites mais uma vez interromperam o projeto nacional de desenvolvimento e popular para impor um conceito de Estado subserviente e mínimo. Em pouco mais de um ano, retrocedemos mais de 60 anos”, compara. Ela cita a ameaça ao Estado Laico, os retrocessos nas políticas de mulheres, LGBT, negros, as ameaças ao meio ambiente, a privatização da Eletrobras e da Petrobras, o desmonte da ciência e tecnologia, dentre tantos outros. “É avassalador o desmonte do Estado Brasileiro”, condena.

“Mas é neste cenário de terra arrasada, de entrega de nossas riquezas estratégicas que nossa resistência política tem que aumentar. O PCdoB nunca se acovardou. É na dificuldade que a gente se agiganta, sempre linha de frente na luta em defesa do país”, considera, ao relembrar o “Mensalão” e o próprio impeachment da presidenta Dilma, onde os comunistas foram protagonistas na luta pela verdade.

“Devemos persistir numa saída, buscar superar a agenda ultraliberal, explorar as contradições do lado de lá, apresentar alternativas no campo da democracia, lutar pelas eleições de 2018, criar condições de retomar uma agenda de desenvolvimento e defender uma frente ampla para nos reposicionar na cena política”, enumera as prioridades do PCdoB para tirar o país da crise.

Para a presidenta do partido, a legenda deve se apresentar mais e com maior ousadia de ideias, divulgar seu programa, propor e implementar as reformar estruturantes e defender, acima de tudo, a democracia. “A luta pela democracia se confunde com a defesa da nação, do resgate do Estado Brasileiro, de um novo projeto nacional de desenvolvimento. Devemos atuar com amplitude, sabendo que temos aliados circunstanciais e estratégicos. Não podemos vacilar, pois é o futuro do país que está em jogo”.

Eleições de 2018

Auditório da ADUFC ficou lotado. Foto: Rafael Mesquita

Para além de garantir que em 2018 haja as eleições, Luciana Santos defende a legitimidade de candidaturas de aliados que apresentam conhecimento, história de compromisso com o povo e coerência política. “Acreditamos na legitimidade da candidatura de Lula, que há anos tem sido bombardeado, mas seu legado supera este bombardeio. Defendemos a candidatura de Ciro Gomes, homem que conhece o país, nunca se acovardou e tem lado. Mas ratificamos que até novembro deste ano, o PCdoB debaterá a pré-candidatura à Presidência da República de um quadro no nosso Partido. Precisamos ter mais visibilidade e apresentar aquilo que defendemos para o Brasil”, ratifica.

Questionada se o Partido teria nomes para tal, ela foi enfática: “Quadros não nos faltam, só temos que debater os critérios”. E citou o ex-senador cearense Inácio Arruda, a senadora Vanessa Grazziotin (AM), os deputados federais Jandira Feghali (RJ) e Orlando Silva (SP), o governador do Maranhão, Flavio Dino, a deputada estadual Manuela d’Ávila (RS), dentre outros.

Além do cenário político, Luciana reforça a necessidade de uma guinada de combate ao ódio e à intolerância. “Vivemos um retrocesso civilizacional, com radicalização e confrontos na luta política. Durante este processo de construção do nosso 14º Congresso, o PCdoB tem debatido e apresentando alternativas visando reverter este quadro”.

Ao encerrar sua entusiasmada intervenção, a presidenta do PCdoB reforçou que “um dos grandes papeis dos comunistas é levar esperança”. “Temos convicção de que esse mundo tem jeito, de que o país, o Ceará e Fortaleza têm jeito. Temos que sempre reafirmar o tema das nossas teses: ‘faz-se escuro, mas eu canto’. Viva o PCdoB!”.

Mais

O encontro dos comunistas na capital soma-se às plenárias realizadas em todas as regiões do Ceará e do país, onde o PCdoB debate o Projeto de Resolução do 14º Congresso, com contribuições e emendas; além de discussão e aprovação de propostas para mudanças no Estatuto do Partido; realizam balanço do trabalho da direção estadual nos dois últimos anos e, com base nesta análise, elaboraram proposta de novas direções. As Conferências Municipais também elegem os delegados que participarão da Conferência Estadual.

A Conferência Estadual do PCdoB-CE, que coroará o processo de debates no Estado, será nos dias 21 e 22 de outubro, na Assembleia Legislativa do Ceará.

Com informações do Vermelho Ceará