A mesa solene foi composta pelas seguintes autoridades e personalidades: Evaldo Lima, secretário de Cultura de Fortaleza; Luiz Carlos Paes, presidente do PCdoB do Ceará; Francisco Kubrusli Neto, diretor de obras do Sindicato de Construção Civil (Sinduscon); Felinto Elísio Belchior Aguiar, pai da homenageada; a vereadora Eliana Gomes; Inácio Arruda, secretário de Ciência e Tecnologia e Ensino Superior do Estado; José Queiroz Maia Filho, chefe de Gabinete da Prefeitura Municipal de Fortaleza.

Em sua saudação a homenageada e aos presentes, Eliana afirmou que falar de Olinda é falar de uma amiga com quem compartilhou sua vida e militância. “Ela tem uma rica trajetória à frente dos movimentos sociais. A conheci no Cearah Periferia e eu na Federação dos Bairros e Favelas. Poucas pessoas sabem, mas ela realizou vários intercâmbios em outros países. Tudo isso para desenvolver o que há de melhor na administração do setor habitacional. Essa mulher de voz doce mais firme esteve a frente de vários projetos. Construção de habitação popular, regularização fundiária, reforma de moradia e construção. Não posso deixar de dizer que estive ao lado de Olinda, quando ocupei na coordenação na assessoria comunitária na Fundação, aquele momento foi fundamental para chegar a essa casa pela primeira vez”, frisou.

“Aqui apresentei diversos projetos. Quando cheguei em 2009 fiquei impressionada com o sucesso dela a frente na Regional III. Fez a transformação de grandes obras naquela Regional. Após esse período ela aceitou o convite de ficar a frente da Secretaria de Habitação, feito pelo prefeito Roberto Cláudio que vem se notabilizando pelo trabalho de melhoria urbana. Essa é a nossa camarada do PCdoB amiga e parceira de militância e hoje tenho a honra de conceder essa medalha a ela”, destacou..

Em seguida, músicos presentes cantaram a música “Estrada” da banda Cidade Negra. Eliana afirmou que a música retrata a vida da homenageada. Logo depois foi a vez do Cabo Chico e de Rita Lisboa apresentarem um cordel em homenagem a Olinda, destacando a colaboração dela ao povo cearense. “Esse cordel a autora é a Rita, nossa poetisa. Eu dei um apoio e ela pediu gentilmente que eu assinasse também”.

Falou em seguida, Felinto Holanda, pai da homenageada. Ele saudou a mesa em nome do vereador Idalmir Feitosa, como também os vereadores. “Fui vereador por 12 anos em Coreaú. Quero homenagear minha mulher Anete e meu filho aqui presentes. Eu estou profundamente feliz e orgulhoso por esse evento, pois essa Casa, aprovou a proposta da nossa colega Eliana, de conceder esse título a minha filha Olinda. Naturalmente que você ao ter essa iniciativa, deve ter acompanhado a trajetória da vida pública e administrativa de Olinda. Ela desde pequena, três a quatro anos, já demostrava interesse pela cultura e leitura. Sempre dizia que ia ser doutora,” recordou.

Observou que ao levantar-se pela manhã ela já estava com seus rascunhos e dicionário ao lado. “Ela é doutora e hoje reconhecida por seus próprios méritos”, comentou. Depois passou a falar de sua própria experiencia como político. “Tenho experiência como vereador em Cariré e deputado por oito anos. Mas me orgulho mesmo é quando recordo minha vida como vereador, sendo oito anos na situação e quatro como oposição. Cariré mandou dois vereadores pra cá, Walter Cavalcante de Sá e Arlindo Sá. A Câmara é a verdadeira casa do povo. Na Assembleia verberei muito defendendo meus municípios, mas não sentia o mesmo entusiasmo quando era vereador. Quero ser grato a essa casa por essa grande homenagem”, asseverou.

Em seguida, falou o secretário de Ciência e Tecnologia e Educação Superior, Inácio Arruda que destacou a história do vereador Idalmir Feitosa, como grande orador. Segundo ele, o que estava no cordel do Cabo Chico e de Rita Lisboa destaca a luta dos que defendem o direito do povo de ter moradia. “Olinda ajudou a formar o povo, quando no Cearah Periferia, junto com a Federação de Bairros e Favelas, trabalhou na mobilização para que o povo passasse a reivindicar. Nós fizemos parte do grande movimento popular, Olinda, Eliana e boa parte dos que aqui estão, trabalharam pelo surgimento de uma liderança popular, que é Lula. Ele criou o maior programa de habitação popular do Brasil”, detalhou.

“Eu recebi o processo do julgamento da inconfidência mineira, são 17 volumes que doei a UFC. Como os juízes puderam determinar o esquartejamento de um líder que defendia a independência do Brasil? Mas o fizeram. Hoje estamos vendo outro líder sendo perseguido. Olinda representa esse sentimento de povo, liberdade de cearense, fortalezense de coragem, que não tem medo, que sabe que a história nos reserva um grande espaço, para os corajosos, de gente destemida de luta. Precisamos construir a história agora, que pode ser de resistência, mas que pode ser o que o país precisa. Nossa homenagem a você e sua família. Essa homenagem é mais que uma obrigação da cidade de Fortaleza”, concluiu

Em suas palavras de agradecimento, após receber a medalha Boticário Ferreira, Olinda Marques disse que sempre é uma honra receber qualquer homenagem vinda da Câmara. Lembrou que já recebeu o título de cidadã de Fortaleza, concedida pelo vereador Alípio Nogueira. “Minha missão é servir o estado e não me servir do estado. A habitação foi sempre minha paixão desde a formação acadêmica e na militância dos movimentos sociais. Sou uma teimosa utópica. Sempre naveguei na cidade dos meus sonhos, na confraternidade, que aprendi na Cáritas, na convivência pacifica, nos diversos grupos que participo. Apesar dos diversos avanços, a cidade não deixa de ter mazelas, por isso continuo nessa caminhada, sem deixar de ter o direito de sonhar. Sonho na visão mais coletiva e numa cidade mais justa”, avaliou.

Para a homenageada, hoje o que se vê é o urbanismo selvagem, “devemos ver como levar a boa moradia e o espírito fraternal de viver junto. A educação para a cidadania é fundamental, o mundo associativo tem um papel importante. Convido a todos os presentes a se juntar ao meu sonho de termos uma cidade inclusiva, que todos os bairros tenham vida própria e sejam lugares de união. Se todos imaginassem uma cidade de seus sonhos, não pensaríamos só em casas e apartamentos, mas pensaríamos em espaços globais. Os novos habitantes devem ser evidenciados respeitando as diferenças dos que vivem no seu entorno. Chamo a atenção para o cuidado com o meio ambiente. Por enquanto tenho espaço para sonhar, mas amanhã voltarei para a labuta, mas acredito que será um novo dia, acredito na força da juventude como dizia Gonzaguinha. Obrigado a todos amigos que estão aqui”, concluiu.

Perfil

Olinda Maria Marques dos Santos nasceu na Cidade de Cariré – Ceará. Formou-se em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com vasto conhecimento sobre processos de formação e capacitação em planejamento urbano. Agregou-se ao Centro de Estudos e Referência de Assentamentos Humanos (CEARAH PERIFERIA), assessorando o movimento popular urbano. Seja através da Escola de Planejamento Urbano e Popular onde capacitou dezenas de lideranças comunitárias; Assumindo também a Coordenação de melhoria habitacional, transferindo essa metodologia para as cidades: Sobral, Icapuí, Maracanaú, dentre outras.

Ainda no Cearah Periferia, coordenou a articulação da rede NUHAB (Núcleo de Habitação e Meio Ambiente). Na busca de aperfeiçoar seu conhecimento realizou intercâmbio com ONG’s e movimentos sociais na África do Sul, Chile, Equador, Alemanha, Paraguai dentre outros. Com vasto conhecimento na formação do planejamento urbano territorial, habitação e saneamento ambiental coordenou por cinco anos o Fórum de Habitação Nacional, e participou do Órgão nacional.

Ocupou o cargo de Presidente da Fundação de Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza – HABITAFOR, órgão da Prefeitura Municipal de Fortaleza. A frente dessa importante pasta constituiu o maior programa habitacional da cidade de Fortaleza, construindo mais de 4 mil unidades habitacionais e implantando a Política Municipal de Regularização Fundiária, através da qual mais de 100 mil famílias foram e estão sendo beneficiadas.

Nesse contexto, destacam-se alguns projetos elaboração em sua gestão a frente da Habitafor. – Comunidade Maravilha com 606 unidades habitacionais; – Programa de urbanização de lagoas (Lagoa do Papicu, do Urubu e açude João Lopes); – Programa Vila do Mar com o a reassentamento e urbanização da via; – Elaboração da Lei da PHIS (Política de Habitação de Interesse Social); – Reelaboração do Conselho Municipal de Habitação; – Reestruturação do Programa Municipal de Melhoria Habitacional – Casa Bela; – Construção do primeiro conjunto habitacional voltado para os garis do município; – Elaboração do Plano Municipal de Requalificação da área do Centro de Fortaleza; – Elaboração e constituição das Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) no Plano Diretor de Fortaleza. Ainda na presidência da Fundação de Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza foi responsável pela implantação do Programa Minha Casa Minha Vida onde foram cadastradas mais de 80 mil famílias, além do Programa Crédito Solidário. A experiência de trabalho adquirida nos quatro anos de Habitafor permitiu que a prefeita Luizianne Lins, em 2009, lhe apresentasse um novo desafio: o de secretariar executivamente, a Secretaria-Executiva Regional III composta pelos seus 17 bairros e uma população de quase 400 mil habitantes.

Diante do novo desafio, Olinda Marques desenvolveu um excelente trabalho. Uma de suas primeiras ações foi estabelecer espaços para ampliar os debates com as comunidades e os grupos sociais criando a Assessoria Comunitária e a Célula de Apoio a Pessoas com Deficiência. Em 2012 recebeu o título de cidadã de Fortaleza nessa Casa e em 2013 com a ida da amiga Eliana Gomes ela foi para a secretaria, Ela comandou o maior projeto habitacional, regularizarão fundiária e tornou-se secretaria-executiva da Habitafor, cargo que continua atualmente na segunda gestão do prefeito Roberto Cláudio e nessa noite que fortaleza agradece Olinda, conhecida por sua sensibilidade no trato com os movimentos sociais, ela transita nos bairros sociais e mais abastardos com a mesma agilidade, ela é um exemplo a ser seguido.